Uma das maiores dificuldades que enfrentamos em nossa jornada espiritual é aprender a aceitar o que é – as circunstâncias da nossa vida, as pessoas como elas
são, nós mesmos com nossas qualidades e nossas imperfeições. Muitas vezes, gastamos muita energia tentando mudar o que não pode ser mudado, lutando
contra a realidade, resistindo ao fluxo natural da vida.
A aceitação não é a mesma coisa que resignação. Resignação é desistir, é aceitar algo com tristeza ou revolta. Aceitação é reconhecer a realidade como ela é, sem julgamentos, sem resistências, e então decidir como agir de maneira consciente e compassiva. É olhar para a situação com clareza, entender o que está dentro de nosso poder de mudar e o que não está, e colocar nossa energia apenas no que podemos transformar.
Quando aceitamos as pessoas como elas são, deixamos de esperar que elas sejam diferentes, de tentar moldá-las de acordo com nossos desejos. Isso não significa que aceitamos comportamentos prejudiciais ou que deixamos de nos defender quando necessário – significa que reconhecemos que cada ser humano tem seu próprio caminho, suas próprias lições a aprender, suas próprias escolhas a fazer. Aceitar a nós mesmos é talvez a forma mais difícil e mais importante de aceitação.
Muitos de nós carregamos culpa por erros do passado, vergonha por nossas imperfeições, dúvidas sobre nosso valor. Mas a aceitação de si mesmo é o primeiro passo para o crescimento espiritual – é reconhecer que somos seres humanos, que erramos, que temos limites, mas que também temos …um potencial ilimitado de amor e transformação. É tratar a si mesmo com a mesma compaixão que teríamos por um amigo querido, é perdoar nossos erros e aprender com eles, é celebrar
nossas qualidades sem nos julgar por nossas fraquezas.
A vida está em constante mudança – momentos de alegria são seguidos de momentos de dor, de prosperidade por dificuldades, de união por separação.
Aceitar esse fluxo natural é como navegar em um barco pelo mar: não lutamos  contra as ondas, mas aprendemos a navegar com elas, a usar sua força para
avançar. Quando aceitamos o que é, encontramos uma paz interior que não depende das circunstâncias externas – uma paz que vem de dentro, do
reconhecimento de que tudo o que acontece faz parte do grande tecido da vida.

Autor: Cícero Henares

  • Todos os direitos autorais reservados ao autor do texto.