Há uma distância exata
entre o caos e a beleza,
um silêncio entre duas palavras,
um equilíbrio entre a sombra e a luz.
Nada é completamente acaso,
nem o encontro de dois olhares,
nem a lágrima que cai devagar,
nem o coração que insiste em amar.
Somos feitos de contrários:
medo e coragem,
queda e ascensão,
razão e desejo,
solidão e comunhão.
Talvez a perfeição não esteja
em sermos inteiros,
mas em aceitar as partes quebradas
que também expõe o que somos.
Há uma estranha geometria na vida:
o que se perde encontra outro caminho,
o que termina abre espaço,
o que dói transforma,
e o que parece distante
sempre esteve dentro de nós.
E assim seguimos,
entre erros e acertos,
entre o ontem e o agora,
procurando no espelho do tempo
o que sempre fomos.
Até compreender que o perfeito
não é ter dois lados iguais
é quando aquilo que somos
e aquilo que precisamos ser
finalmente se encontram
no ponto exato.
E, por um instante,
o universo parece respirar
em perfeita simetria.
Autor: Cícero Henares
* Todos os direitos reservados ao autor da obra.
PERFEITA SIMETRIA
