Leia o texto ouvindo…Guns N’ Roses.

 

Conversando comigo mesmo. Sozinho.

O solo da guitarra do Slash…a voz de Axl. O copo de vodca e o cigarro aceso. Abro a mente, conversando comigo mesmo e ouvindo “Stranged”.

Não me sinto um estranho, me sinto apenas a verdade.

Vejo a estrada e as estrelas na noite fria…sentado em meu sofá. O velocímetro marca 240 km/h. Na cabeça o acorde perfeito do solo em “Rocket Queen” e a estrada que parece não ter fim. Acelero mais e mais…pareço não sair do lugar, mas o velocímetro marca agora 300 km/h. “Live and let die”…eu posso dizer que está tudo bem nesse meu encontro comigo mesmo. A sala está fria…

Acredito no que penso e a cada copo de vodca vomito palavras que se tornam poemas. Com os olhos fechados naquela velha estrada. Não existe o tempo nem o espaço, apenas milhares de olhos me observando com suas mãos sujas tentando me pegar. Tento acelerar ainda mais, mas 300 km/h é o limite. Começo a perceber que pode ser o fim da linha.

“Street of dreams” e a voz de Axl me faz voar. Meus pés já não tocam o chão…minhas mãos seguram forte no sofá, ainda de olhos fechados sinto o suor escorrer pelo meu rosto. Posso tocar as estrelas e sentir o cheiro doce de vida onde normalmente não se encontra vida.

Invade meu pensamento a música “You could be mine”…! Já não existem olhos e nem mãos. Apenas Slash e sua guitarra.

A vida não é e nunca será apenas um sopro…nem uma luz no final de qualquer túnel. Se fecharmos os olhos poderemos ver a essência do que acreditamos ser a vida. Sentiremos ser apenas a verdade…nada mais que isso.

Volto para meu sofá, para a minha vodca e para meu cigarro.

“Sweet child o’mine” me faz abrir os olhos. A batida de Matt Sorum e o baixo de Duff conduzem cabeças e mentes a conversarem…por favor, derrubem o muro que cerca a realidade. Precisamos disso. Martelos quebrando cada tijolo, palavras derrubando cada preconceito. Por um longo tempo pensei nisso. Precisamos ser assim de vez em quando, mesmo que sozinhos temos que empunhar martelos e picaretas para derrubar o muro…reconstruir em seu lugar um canteiro de papoulas. Isso pode dar certo. Como saber se não tentarmos. Eu aqui do meu sofá, com minha vodca e meu cigarro tenho consciência disso.

(Cícero Henares 01/05/2017)