Minha mão trêmula segura a caneta, apoiada sobre um papel em branco. Sinto falta da inspiração. Talvez a idade esteja bloqueando o que antes era uma dádiva espontânea e instantânea. Olho para a janela e vejo a dança sincronizada das finas gotas da chuva escorrendo pelo vidro embaçado. Aquele barulhinho hipnotizante da água que escorre pelo telhado e cai na lata aberta que se encontra propositalmente deixada logo abaixo da janela. O tempo está nublado. Aquele friozinho, na medida certa, preenche todo o ambiente deixando-o aconchegante. Tudo parece colaborar, como uma fonte inesgotável de inspiração. Mas não é bem assim…as idéias inspiradoras fogem, escorrem pelas mãos. O papel continua em branco…