Existe um rio que corre dentro de nós, invisível aos olhos do mundo, mas sentido em cada pulsação silenciosa do ser. É o rio do choro da alma. Não é a lágrima que escorre pelo rosto — essa é apenas a manifestação na superfície. É a própria essência em um estado de profunda e sincera comunicação.
A alma chora não apenas de tristeza, mas de um anseio que transcende a dor mundana:
- Chora pelo reconhecimento da sua verdadeira natureza, perdida no labirinto das obrigações e distrações diárias.
- Chora pela saudade de Casa, de uma origem ou unidade que a consciência, presa na dualidade, mal consegue recordar.
- Chora de alegria e gratidão extasiada quando, num lampejo, se conecta com o Amor Incondicional, a Força que tece todas as coisas.
Este choro é, paradoxalmente, um ato de extrema força. É quando a alma se recusa a fingir, a usar máscaras ou a compactuar com a superficialidade. É um pedido de volta à autenticidade, um grito primal pela verdade interior.
Quando sentir esse movimento profundo, não o reprima. Dê-lhe espaço. Deixe que o rio corra e lave os escombros acumulados. O choro da alma é a nossa forma mais pura de oração sem palavras, o momento em que Deus (ou o Universo, a Fonte, o que for que ressoe em seu coração) escuta não o que dizemos, mas o que somos.
É no silêncio, no recolhimento permitido por essa correnteza, que encontramos a porta para a cura e a chave para a sabedoria. É o lembrete de que não somos apenas matéria, mas um espírito vasto e eterno que, de vez em quando, precisa apenas… chorar.
Autor: Cícero Henares (08/10/2025)
Todos os direitos autorais reservados ao autor.

O choro é necessário, pois além de molhar a face inunda a Alma.
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