Como posso voar se não tenho asas? – sentir o vento tocar meu rosto e, de olhos fechados, estar no infinito me unindo ao universo. Queria ser um pássaro para esse desejo realizar. Nada me tirava isso da cabeça. Eu tinha apenas sete anos e naquela época acreditava realmente que realizaria esse sonho. O tempo é implacável e, dia a dia, ia me afastando cada vez mais em acreditar que aquele sonho seria possível de realizar. Um belo dia, no meu aniversário de dez anos, ganhei de minha mãe um livro e junto a ele havia um bilhetinho preso por um clipe em sua capa, que dizia o seguinte: “eis as suas asas…agora é com vc, voar ou não”.

Como poderia voar através de um livro? Nunca havia lido um sequer. Confesso, naquele dia eu tinha apenas um pensamento, estava muito decepcionado com minha mãe…esperava um presente mais…mais…sei lá, impactante, tipo, para que eu pudesse ostentar perante meus amigos. Esperei ela sair do quarto e, imediatamente coloquei o livro dentro da gaveta de minha escrivaninha que utilizava para estudar. Pronto, a decepção estava escondida. Voltei para a festa do meu aniversário.

No dia seguinte acordei e guardei cada presente que havia ganhado, quando percebi que o livro que minha mão tinha me dado de presente estava sobre a cama. Achei estranho. Como ele saiu da minha escrivaninha? Depois de ter guardado todos meu presentes resolvi pegar o livro de dar uma olhadinha, tipo…matar minha curiosidade. Logo na primeira página vi o desenho de um chapéu.

“Isso não é um chapéu!” – uma voz de criança falou comigo. Olhei para trás e lá estava ele, um menino vestido de uma maneira diferente, mas que emanava uma paz que eu sentia direto no meu coração.

“Me parece um chapéu.” – respondi, meio desconfiado. De onde aquele menino surgira? Eu não o conhecia.

“É uma jibóia digerindo um elefante.” – o menino me disse calmamente. “Vc não percebe” – continuou ele.

Então percebi uma magia naquele menino. Algo que nunca havia percebido em ninguém…em nada. Por alguns segundos fiquei apenas olhando para ele e aquele sorriso que me transmitia uma paz que, sinceramente, não consigo descrever aqui. Ele sentou ao meu lado na cama e me disse: “Venho realizar seu sonho”, e sorriu, estendendo a mão para mim.

“Como é seu nome?” – perguntei.

“Como quer me chamar?” – ele respondeu.

“Posso te chamar de Sonho?” – repliquei.

“Claro! Estou aqui para iniciar uma busca, em uma aventura por vários mundos e planetas. Ouvi seu pensamento, senti seu desejo e ficou claro o seu sonho. Decidi fazer minha primeira parada aqui, para te convidar a realizar seu sonho de voar. Basta acreditar em mim, e viverás uma fabulosa aventura.”

“Mas não tenho asas. Como poderei voar?” – disse ao menino.

“Eu te darei asas. Basta seguir o que vou te pedir, então fará a melhor viagem de sua vida. Voará comigo por vários planetas e galáxias. Será minha companhia, meu amigo. Pegue o livro…lembra do chapéu? A única coisa que precisa fazer é continuar a leitura do livro. O resto deixe comigo, e dê asas à sua imaginação. Venha comigo!”

Então o menino começou a ler o livro…naquele momento ele criou asas e sua imaginação o fez voar. E conheceram planetas, reinos e reis…e aprendeu que devemos cultivar cada amizade que conquistamos. E seu sonho realizou-se da forma mais bonita que um sonho poderia ser realizado.

Na manhã seguinte, o menino acordou segurando o livro aberto sobre o peito. E pode assim acreditar que todos os sonhos são possíveis de realizar…basta acreditar na magia que existe em cada um de nós.

Ahhhh, o nome do livro: “O PEQUENO PRÍNCIPE” do autor Antoine de Saint-Exupéry.

(Autor do texto: Cícero André Henares – 28/02/2021)