Seu medo está ali
Te olhando, julgando-te
Inquisitora, dona de si
Não ignore
É tu mesma, seu lado obscuro
Encare seus defeitos, te julgando
Metendo o dedo no teu nariz
Não chores, encare
Assume seus pesadelos
Pare de fugir
Encare, viva tuas feridas
Doem, sangram
Olhe seu verdadeiro reflexo
Imperfeito, remendado
Teu corpo defeituoso
Tuas dores, sem reticências
És tu, olho no olho
Veja, não seja covarde
É tua culpa
Assuma sua incompetência
Enchugue essas lágrimas
E viva as consequências
De pé, viva
Viver doe mesmo

Autora: Flávia Borges