​Não é um buraco, nem falta de chão,
É um mundo escuro…sem cor,
Que ressoa o eco de nossos medos
E guarda o que sobra da nossa dor.
​Mora entre o peito e a garganta apertada,
Uma fome de um tudo que nada sacia,
É o rastro cinzento da estrada passada,
A sombra que tece nossa própria agonia.
​Tentamos enchê-lo de pressa e ruído,
De corpos, de telas, de luzes e amores,
Mas o vácuo é voraz, um segredo escondido,
​Pois o vazio, no fundo, é um convite mudo,
Um espaço sagrado pra gente se ouvir,
É o solo infinito onde nasce de tudo,
Se a gente tiver a paciência de sentir.
​Não tema o deserto que queima por dentro,
O vazio é o ponto, o exato centro,
Onde a alma descansa dos seus lamentos.

Autor: Cícero Henares

*Todos os direitos autorais reservados ao autor.