Há um sopro que não se sente no ar, mas que pulsa em cada fibra do ser. É o fio invisível que tece a teia de todas as coisas, que liga a pedra ao céu, o rio à
montanha, o homem à terra que o acolhe. Esse sopro não tem início nem fim – ele é o próprio movimento da existência, o suspiro do universo que se manifesta em
cada ser vivo.
Quando olhamos para uma planta que brota da terra, vemos mais do que matéria organizada: vemos esse sopro se fazendo forma, se expressando em cor, em
textura, em força crescente. Quando ouvimos o coração de um filho bater contra o peito da mãe, ouvimos a mesma melodia que ressoa nas galáxias distantes – a
harmonia do que é, do que sempre foi e do que sempre será. Muitos buscam essa essência fora de si mesmos, percorrendo caminhos longos, construindo templos grandiosos, repetindo palavras sagradas. Mas a verdade é que ela habita dentro de cada um, como a água em um poço profundo – basta nos calarmos para ouvir o som de sua superfície, basta nos inclinarmos para beber de suas águas purificadoras.
O sopro inicial não é propriedade de nenhuma crença, de nenhum povo ou de nenhum tempo. Ele é o presente que o universo oferece a todos os que se dispõem a recebê-lo, sem condições e sem limites. É o fogo que acende a chama da consciência, a luz que ilumina o caminho do coração.
Autor: Cícero Henares
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