Vivemos em um mundo onde busca-se a inatingível perfeição do corpo. Corpo sarado, traços, pele e cabelos perfeitos, ditando padrões de beleza impostos pela mídia e fomentados pelo mundo virtual. As consequências dessa “tendência” vão desde distúrbios alimentares graves até transtornos psicológicos que são extremamente difíceis de serem resolvidos.
Esta alienação atinge na maioria o público feminino, porém, nos últimos anos, vem incorporando também o público masculino. Vemos uma transformação virtual e irreal nas pessoas, refletindo a auto discriminação inconsciente imposta pelos padrões de beleza ditados pela mídia, principalmente nas redes sociais. Quase não se vê mais gente gorda, feia e velha. Câmeras e aplicativos possuem filtros que transformam pessoas, as vezes beirando o ridículo, aplicando efeitos para que se chegue à “beleza” artificial imposta.
Vamos viver o que temos para viver. A felicidade vem de um interior feliz. Devemos aceitar nosso corpo e exercitar nossa mente, pois essa sim vai fazer diferença lá na frente, com o passar dos anos. Lógico que devemos cuidar de nosso corpo. Nossa saúde física depende de um corpo são. Mas, sem exageros…por favor.
“Toda beleza é imperfeitamente bela. Jamais poderia haver um padrão, pois toda beleza é exclusiva como um quadro de pintura, uma obra de arte.” (Augusto Cury)
Um artigo importante, publicado no site “Psicologias do Brasil” , de autoria de Jackson César Buonocore, descreve bem o assunto. Abaixo descrevo fragmentos dessa publicação.
“…No Brasil, foi fabricado um imaginário de beleza jovem, útil e erótica. Por isso, muitas mulheres acabam praticando exercícios em excesso, levando a exaustão física, que associada a falta de alimentos são capazes de produzir doenças como anorexia, bulimia e vigorexia, ou por meio de cirurgias estéticas – que já arrastaram à morte jovens famosas e anônimas. Atrás das doenças como a bulimia e a anorexia incidem os fenômenos das mudanças corporais adquiridas pelas cirurgias plásticas, ou seja, 50% das intervenções são feitas por causa da estética e muitas são realizadas em adolescentes, que ainda não têm o seu corpo formado e agora está sendo mudado para atender as exigências dos atuais padrões de beleza. Além da sociedade exigir das mulheres uma pesada jornada de trabalho: cuidar da casa, do marido, das crianças e do emprego, elas também sofrem as cobranças para alcançar o ilusório padrão de beleza, gerando stress na busca de uma barriga sarada, numa permanente luta contra a balança, na diminuição das silhuetas do corpo e das calorias das refeições de cada dia.
Não importa os apelos mediáticos da ditadura da beleza, fixando a magreza e o rejuvenescimento como meta inatingível, pois cada pessoa tem uma beleza única e precisa ser sentida como natural. O envelhecer é um caminho inexorável – que pode ocorrer com saúde e dignidade. Portanto, temos que encontrar o equilíbrio na busca do bem-estar do corpo, sem descuidar da saúde mental e espiritual. Ser saudável não é somente ter um belo e magro corpo, mas sentir-se feliz e bem consigo mesmo, sem recorrer as ilusões da ditadura da beleza.” (Jackson César Buonocore)


