O café forte…a chuva fina e um bom livro. Assim começa o dia perfeito. As gotas d’água molhando o vidro da janela da sala transformando-a em uma tela de Picasso ou Van Gogh, uma beleza ímpar de formas que se movem e parecem vivas. O som da chuva, esse fundo musical perfeito, que, fechando os olhos, posso voar ouvindo “Ride of the Valkyries” , de Richard Wagner.
Hoje estou viajando pelas páginas de um livro de Caio Fernando Abreu, para ser mais preciso, “Pequenas Epifanias”. Em um trecho ele diz:
“…sobre as antas poderosas, ávidas de matar o sonho alheio – NÃO! Derrama sobre elas teu olhar mais impiedoso, Deus, e enfia tua espada.Que a balança pese exata na medida do aço frio da espada da justiça. Mas, para nós, que nos esforçamos tanto e sangramos todo dia sem desistir, envie teu sol mais luminoso. Sorri, abençoa nossa amorosa miséria atarantada.”
Eu faria uma adaptação: “…Mas para nós, que esforçamos tanto e sangramos todo dia sem desistir, envie aquela chuva fina, calma e constante, para que possamos sonhar, de olhos fechados, com a mais abençoada fartura de felicidade.” – como não pretendo modificar um texto tão profundo e reflexivo escrito por Caio, esqueçam essa minha intromissão literária.
Uma tela de Picasso ou Van Gogh, ao som de “Ride of the Valkyries” , de Richard Wagner, um livro e uma xícara de café forte. A vida é o que queremos sentir, independente da realidade. Toda manhã é mágica quando se tem um livro, chuva e café.
(Cícero André Henares – 04/11/2017)
(Se preferir, leia o texto ouvindo “Ride of the Valkyries” de Richard Wagner
