O caminho que leva à todos caminhos. O andar sozinho…vazio. A manhã fria, estrada de terra batida, o mato molhado pelo orvalho. Bucólica passagem que a gente sente na alma, que caminha como que sem o corpo, levada apenas pela beleza do caminho.

O barulho do cascalho misturado na terra sob meus pés, a cada passo indicando que a caminhada é real…não um sonho que parece ser. O canto da cigarra, constante, que revela a vida que pulsa naturalmente, marcando o caminho como que uma orquestra no mais belo teatro.

Onde nos leva o caminho? – leva-nos à todos os caminhos, onde nossos pensamentos quiserem ir. Uma casa no campo, um riacho ou apenas a sombra de uma árvore…

Ouço uma voz, bem no fundo de meu pensamento, que diz: ” – Ei, você…há alguém em casa? Esse caminhar sozinho não é bom. Relaxe, esvazie sua mente, apenas relaxe e concentre-se no caminho…pois somente ele te levará ao seu destino final.”

As árvores e o mato que me cercam são substituídos por formas e cores abstratas que se movem.

Abro meus olhos e vejo a janela do quarto turva pela água da chuva que cai intensamente lá fora. Minha cama molhada pelo suor que marcava a lembrança de um caminho que me levou à todos os caminhos. E eu estava ali, pronto para seguir em frente.

(Cícero Henares – 09/11/2017)

 

Se preferir, leia assistindo e sinta a sensação perfeita do poder do texto…